A viagem.

 

 

 

        A vida é um mar de alegria, diga-se de passagem: ainda mais quando estamos acompanhados por pessoas extrovertidas que carregam em sua natureza a alegria de viver, pelo qual tudo é motivo de piadas.

        Eu tenho o prazer de ter em meu convívio uma destas pessoas, que só me faz rir com suas artimanhas e contos de passagens por ele vividas.

        Para mostrar como as coisas acontecem, contarei um causo que começou durante uma viagem de passeio.

        Eram minhas férias, e algumas vezes eu acompanhava-o em alguns leilões agropecuários. Porém outras vezes estávamos na roça com nossas famílias, à beira do fogão à lenha, tomando uns aperitivos, “cachaça Mineira mesmo”, e comendo angu com torresmo.

        Mas voltando à viagem, logo nos primeiros raios de sol, ouvi seu andar pelo corredor da casa de minha mãe em direção ao meu quarto, e no meio da cozinha ele trovou meu nome.

        ___Acorda!!  Já está na hora do almoço.

        Isso às seis horas da manhã.

        Quis tomar um café, mas ele me avisou que nós buscaríamos outro amigo no sítio de seus pais e lá tomaríamos café. Logo que chagamos ele foi à beira do fogão à lenha e começou a esquentar a comida, nesta hora eu já estava varado de fome.

        Enquanto seu amigo acordava, ele me deu um prato fundo e chamou para comer.

        Acreditem, sete horas da manhã e ele estava comendo arroz com feijão e carne de porco na gordura, com a fome que eu estava acompanhei-o naquele banquete.

        Eu já estava satisfeito e achei que ele já tinha terminado, quando este amigo me avisou que rebateria a fome com um prato de macarrão.

        Neste meio tempo juntou-se a nós um senhor de idade meio avançada, que nos acompanharia durante aquela viagem.

        Todos de barriga cheia, pé na estrada.

        O  ¨papo¨ corria solto na viagem, entre uma conversa e outra, saia um piada e um conto, quando o assunto tomou um ar de seriedade, pois aquele senhor avisou-nos que tinha comprado uma fazenda,  que ficava durante o nosso caminho, e combinamos de passar por ela para conhecê-la.

        A estrada era cheia de curvas, aclives e declives, quanto deparamos com uma longa reta, e à margem direita da estrada, uma fazenda com terra que se perdia no horizonte.

        Neste momento aquele senhor pediu para meu amigo parar o carro, pois ele estava apertado e queria mijar.

        Ao encostar o carro descemos os três, mas cada um virado para um lado, quando ouvimos um longo suspiro de nosso amigo.

        ____ Aaaaaahhhhh!... Como é bom mijar no que é da gente.

        Fiquei surpreso, realmente era uma bela fazenda aquelas terras, e agora sabíamos a quem pertencia.

        Então perguntamos em coro.

        ___ A fazenda do senhor é aqui, parabéns, uma bela terra.

        Rindo ouvimos sua resposta e nossa tréplica.

        ___ A fazenda não é minha.

        ___Mas o senhor mesmo acabou de falar “como é bom mijar no que é da gente”.

        ___Rsrsrs, pois é!...

        ___ Acabei de mijar na minha botina. Na minha idade não conseguimos mais mijar para frente, completou nosso companheiro de viagem.

        A vida é feita de pequenas passagens, basta sabermos tirar aproveito delas.

 

Contos de Leandro Campos Alves.

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