Camionete Quase Zero.

            Na vida muitas pessoas passam pela gente, algumas nos marcam profundamente em seus gestos e sua forma de viver, e outros tantos nem percebemos a sua estadia em nossas vidas.

            Como aquelas que nos marcam, lembro-me bem do senhor Sebastião.

            Homem honesto de poucas palavras e rígido em suas decisões, a vida deste senhor muito lhe pregou peças, de um homem bem sucedido em poucos meses desceu a escada da necessidade, levando consigo esposa e filhos.

            Mas dificuldades nunca lhe impuseram medo, pelo contrário, pois através delas é que ele se arribava na sociedade para lutar por melhores dias, e este foi o fato que o levou a viver uma cena inusitada, na qual fui espectador.

            Após tantas lutas e dificuldades, senhor Sebastião e sua esposa conseguiram montar seu próprio negócio pequeno no início, mas eram deles.

            A loja vendia produtos agrícolas, e em poucos meses Sebastião levou para trabalhar com ele seu filho Léo e um amigo da família chamado Batista.

            Os dias passaram, e o pequeno mercado estava crescendo, foi aí que Sebastião sentiu a necessidade de comprar um veículo para fazerem as entregas, que quase na totalidade delas eram feitas na zona rural.

            O dinheiro era curto, mas o sonho era imenso, então Sebastião começou a procurar um veículo utilitário para os negócios.

            Com ajuda de alguns amigos ele localizou o que procurava, e no mesmo dia foi ver o veículo e efetuar a compra.

            Por telefone Sebastião anunciou a compra a seu filho e esposa, todo alegre parecendo uma criança, explodia de alegria ao falar sobre o estado de conservação do carro.

            Ele anunciou que o carro era quase zero, estava com ótimo motor e pintura intacta, e ao anoitecer já estaria de volta, era para todos aguardar a sua chegada para conhecer o carro e dar a primeira volta com ele.

            Eu que já estava ali até aquele momento resolvi esperar mais um pouco para matar a curiosidade, foi então que ouvi um barulho estridente se anunciando no início da rua.

            Saí do comércio para ver o que era e comigo saíram Léo e Batista, deparamos com um veículo vindo a alguns metros de nós, com apenas um farol e de cor azul com uma faixa rosa nas laterais, começamos a rir e a caçoar do pobre motorista, pois quem era louco de ter um carro rosa, assim pensamos todos.

            À frente da loja tinha uma bifurcação onde a rua dobrava a direita em uma subida, e o motorista daquele veículo logo sinalizou que entraria à direita, e assim o fez.

            Nossa alegria estava completa, pois o veículo além de barulhento e da cor um pouco chamativa, parecia um burro xucro que ninguém poderia domar, pois nos deu a impressão que ele tinha vida própria ao vê-lo teimando a seguir em frente.

            O fato se deu quando seu motorista forçou a convergência à direita e ironicamente a carroceria do carro se deslocou em linha reta parando em frente do lugar onde observávamos aquela hilariante cena.

            Não sabíamos se ríamos ou corríamos para ajudar aquele pobre coitado.

            Só que a nossa surpresa maior foi quando vimos sair do carro a pessoa que estávamos esperando com o carro quase zero, pois o motorista era o próprio Sebastião, que rindo falou...

            É...

            O carro é quase zero, faltam apenas alguns pequenos ajustes vocês não acham!

 

 

            Copla Romance Instinto de Sobrevivência.

Leandro Campos Alves.

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Leandro Campos Alves Caxambu MG / Liberdade MG. leandrocalves@hotmail.com