Fraternidade.

          Foto WEB.

 

 

            A nossa infância marca muito nossas vidas, e agora trago um pedacinho desta história, um causo que ficou em nossas memórias, pois éramos quatro irmãos muito unidos, e se alguém incomodasse um de nós, todos se uniam contra o mesmo.

            Tínhamos um acordo entre nós estipulados pela união fraternal em que preferíamos que nossos amigos nos machucassem, mas nunca a um de nossos irmãos.

            Nós morávamos em uma casa de laje com a fachada para a rua e em seu terreiro havia um pequeno barranco cuja sua superfície era de nível com a laje.

            Nesta pequena planície existia uma área com um limoeiro e uma mexeriqueira, todas frutíferas e uma pequena horta, lugar onde eu e meu irmão cultivávamos alguns legumes.

            Um belo dia, meu irmão chegou em casa trazendo consigo um amigo e este vinha gritando com ele e gesticulando muito, como se o chamasse para briga, que logo veio a acontecer.

            Mesmo sendo uma briga de adolescentes, começaram a ter agressões corporais, e meu irmão por sua vez tentou em várias vezes escapar, mas as tentativas foram em vão.

            Ao longe ouviu meu irmão gritar, fui então ao seu encontro para ver o que estava acontecendo, foi quando me deparei com a confusão, sendo ainda pequeno e percebendo que não adiantaria entrar naquela briga, pedi para o agressor parar com aquilo, mas meu pedido foi ignorado.

            Então decidi que ajudaria meu irmão de alguma forma.

Subi o barranco até a horta e peguei vários limões que estavam no chão, jogando-os sobre a laje de nossa casa, pois lá de cima ficaria fácil jogá-los no agressor.

            Tão logo subi na laje, comecei a bombardear o agressor com as minhas munições, não se errava um limão, todos pegavam em cheio no alvo.

            Mas com tantos acertos, logo percebi que já estavam acabando, sobrando somente um chuchu que estava entre os limões.

            Sem pestanejar peguei o chuchu e o fiz também de munição, lancei-o como última esperança de ajudar o meu irmão.

            O tiro foi certeiro como tantos outros e a briga acabou em um único golpe, para a minha surpresa só errei o alvo, pois desta vez acertei em cheio o peito de meu irmão.

O agressor desmanchou-se em risadas estridentes e saiu caçoando e agradecendo-me, dizendo que nem mesmo ele faria melhor.

Após passar a dor, eu e meu pobre irmão começamos a rir daquele acerto.

            Ele me pediu que da próxima vez acertasse os limões nele e deixar o chuchu para seu oponente.

            Ou deixá-lo apanhar, pois os golpes doeriam menos do que aquele chuchu.

 

 

            Copla do romance Instinto de Sobrevivência.

Leandro Campos Alves.

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Leandro Campos Alves Caxambu MG / Liberdade MG. leandrocalves@hotmail.com