O coronel.

 

Quando o coronelismo imperava no nordeste do Brasil, Euclides Maldonado, dono de um largo e vasto bigode e de várias propriedades, inclusive do povo, era o velho coronel da cidade de Saudosél, Pernambuco. Nada era feito sem seu consentimento e benção. Um médico não era contratado sem que Coronel Euclides aprovasse. Uma nova empregada da casa grande não era admitida se não fosse provada.

Respeitado por muitos e temido por todos, coronel Euclides era frequentador assíduo do cabaré Fragrância, e mantinha uma tenra ninfeta como a pupila de seus olhos. Rosa Maria era seu nome e dezessete sua idade. Na verdade, tinha pouco menos que a idade de sua filha, uma flor de menina.

Esta era muito religiosa e delicada, dedicando suas horas vagas ás orações e bordados, nessa ordem, já aquela tinha espírito de leão e vocabulário de soldado, nessa ordem também.

Coronel Euclides era apaixonado pela filha Julieta, nutrindo um grande orgulho de sua candura e cuidava para que nada lhe faltasse em educação. Jamais levantou a mão para contra seu rosto delicado ou erguera-lhe a voz. Jamais lhe negou um desejo ou capricho, não que a filha fosse de exigir caprichos a não ser para os pobrezinhos do orfanato.

Mas coronel Euclides era louco por Rosa Maria, a fogosa menina que lhe tirava do sério e o provocava com seu olhar lânguido de pantera no cio, manhosa como gata ronronando, mas brava como leoa.

- Olha que te dou umas palmadas. - dizia o coronel quando estava louco de ciúmes pela ninfeta fogosa.

- Quer-me só pra ti? Não vês que minha profissão me exige que seja de todos?

- Cala-te que me enlouqueces. Já não te dou o suficiente para que te guardes para mim todas as noites?

- Sim, e me guardo, mas às tardes tenho que trabalhar. Outros homens tenho que receber.

Coronel Euclides deu-lhe uma palmadinha de leve no rosto, mas que não queria imacular a beleza fresca que tinha.

- Ora seu bruto. Saia já daqui que não te quero mais. – choramingou Rosa Maria, indo frente ao espelho lamentar. Na penteadeira onde um vaso transparente, num canto, exibia as rosas frescas que o coronel lhe trouxe, pegou um frasco de perfume e esguichou a fragrância no regaço

– Me perdoe minha querida. Mas é que não posso...

– Saia. – gritou, dando um fraco tapa de moça na face corada do homem robusto parado à sua frente.

– Impetuosa. Menina malcriada venha cá que te ensino. – puxou-lhe pelo braço e deitou a pequena de bruços, enchendo seu traseiro desejado com quentes palmadas. Rosa Maria desvencilhou-se e pulou por cima do coronel puxando seus cabelos.

Desvencilhando-se instantes depois ele largou-a na cama, ficando de pé, e ajeitando-se como podia.

– Louca. Podia matar-te.

– Mate-me então se te apetece. Mas não venha chorar sobre meu corpo quando não mais puder dele saciar-se.

–Não! Isso nunca minha pequena. Venha cá.

–Não te aproximes. Não quero um bruto a tocar-me. – fez beicinho.

–Não, meu amor. Não fiques assim que me aquebranta o coração. – derreteu-se o coronel sentando na beira da cama com toda delicadeza. – Peça. Qualquer coisa para que me perdoes.

–Um diamante. – disse dengosa esticando as pernas morenas sobre a cor vermelho sangue dos lençóis de cetim emaranhados

– O quê? – branqueou o coronel.

 

Priscila M. Palmeira Escritora dos livros Crônicas de Silbery e Caçadores - O Vale da Morte.


 

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Obra em destaque.

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 

Caçadores - O Vale da Morte

Por PriscilaMPalmeira

 

 

 

Remanescentes

Por PriscilaMPalmeira

 

 

Crônicas de Silbery - O Segreedo do Bosque

Por PriscilaMPalmeira

 

Contos que eu conto.

 

 

 

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