Pedido de Socorro.

 

 

            Um dia estava pescando eu, meu irmão mais velho e meu pai.

            Entre um peixe e outro, nosso pai nos presenteava com o conhecimento de uma face fraternal e patriarcal que ainda desconhecíamos e que se despontava do fundo de sua alma.

            Em um exato momento da pescaria nós começamos a ouvir a voz do pescador misterioso que estava às margens do rio ao sul.

            Pois este pescador ao entrar em combate contra um peixe, em uma guerrilha entre o homem e o anfíbio, encontrando-se ambos em territórios diferentes e tendo como elo somente uma fina corda de nylon, que lhes servia como cabo de guerra, este começou a gritar motivado pelo contentamento da captura.

            Ao fisgar o peixe em questão, que como um árduo oponente lutava bravamente para escapar, ele não importou mais em ficar em silêncio, deixando assim o barulho de seus gritos ecoarem pelas calhas às margens ribeiras.

            Então meu irmão reconheceu que se tratava de Assis, um adolescente conhecido da família com idade aproximadamente quatro anos a menos que a minha.

            Estranhamente ele estava pescando sozinho, pois não tinha contigo nenhuma companhia adulta.

            Sua voz e seu sotaque eram inconfundíveis, pois havia neles um leve repicar de sua gagueira.

            Assis em sua gritaria anunciava o tamanho de sua presa, gritando...

            ¨ Pe... pe... peguei um grande... ¨

            ¨ Pe... pe... peguei um grande... ¨

            Durante um bom tempo se ouvia o barulho das águas sendo cortadas pelo nylon, esticando-se em confluência das ondas com o movimentar do peixe, ao mesmo tempo em que se ouvia Assis.

            Nós então paramos com a nossa pescaria, para prestar mais atenção naquela bagunça que acontecia a poucos metros dali.

            Esta batalha entre o peixe e Assis já durava uns quinze minutos, quando de repente à voz de Assis foi substituída por um grande barulho, que indicava ser a queda de alguma matéria nas águas do rio.

            De início imaginava que se tratava do pedaço de um barranco que havia se soltado das margens, ou até mesmo de um animal silvestre submergindo nas águas, mas surpreendentemente o barulho anunciava que chegou ao final aquele combate.

            Combate este que teria somente um vencedor e, pela lógica seria o homem, mas o improvável aconteceu e o mais frágil saiu vitorioso, que além do escape teve como troféu a companhia de seu oponente dentro de seu território.

            O peixe pequenino e valente ao escapar levou Assis consigo.

            A origem do barulho ouvido antes era exatamente o menino caindo no rio, que imediatamente começou a pedir socorro, pois ele ainda não sabia nadar.

            Nós éramos as pessoas mais próximas de Assis e fomos ao seu auxílio para salvá-lo.

            O menino se debatia agarrado aos galhos secos de uma árvore emersa as águas e gritava pedindo socorro do seu jeito peculiar...

                        ¨    So...So...Socorro...¨ , ¨    So...So...Socorro...¨.

            Nós assistíamos aquela cena e fomos pegos por um acesso de risos antes de seu salvamento. 

            Pedimos para Assis que falasse em carreirinha, só assim poderíamos sair daquela situação de êxtase e risadas.

            Porém só conseguimos retira-lo daquela situação, após amarra-lo pela cintura com um cipó e trazê-lo até a margem salvo e molhado, recebendo o seu abraço e agradecimento.

            ___De,de,de,Deus abençoe vo,vo,vocês.

 

Copla Romance Instinto de Sobrevivência.

 Leandro Campos Alves.

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