Pneu em Fuga.

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          Tínhamos um comércio na década de oitenta, e o causo que passo a contar agora aconteceu mais ou menos assim.

           Meu pai adquiriu uma camionete para seu comércio, e ela fazia a nossa alegria com o seu temperamento, pois parecia o veículo ter vida própria e um gênio difícil às vezes.

            Um belo dia já à tardinha, meu pai precisou fazer uma grande entrega, carregando a camionete com sua carga máxima, me chamando para ir ajudá-lo a entregar a mercadoria e estava junto de nós um amigo chamado Batista.

            Para chegar ao destino desta entrega nós percorreríamos uma estrada rural, com suas curvas sinuosas, com aclives e declives normais para uma região montanhosa.

            O sol ia se pondo no horizonte deixando a tarde ainda mais bela, os campos estavam verdejantes, com gados murmurando sobre as suas pastagens, as seriemas ao longe repicavam seu cantar anunciando a complementação da beleza natural da região, que aos olhos dos viajantes das cidades de pedra, viam-se nestas cenas as verdadeiras obras criadas com maestria pelas mãos de Deus, para a alegria dos filhos seus.

            Com esta paz que nos envolviam, entre uma conversa e outra, e várias gargalhadas originadas das piadas contadas por Batista, ultrapassou por nós em grande velocidade uma roda solitária de carro montada e cheia.

            Nós percebemos a presença do objeto sem direção certa, quando notamos um vulto que passou à direita da camionete, foi neste momento que Batista comentou...      

            “___Quem poderia ser o bobo que acabou de perder aquela roda?”

          E completou falando para irmos atrás dela e pegá-la, porque algum dia ela poderia nos ser útil ou servir para algum conhecido, ou quem sabe nós pudéssemos encontrar seu dono.

            Ao andar aproximadamente oitenta metros percebemos que mais cedo do que nós pensássemos, acharíamos o dono daquela roda.

            Ao encostar a camionete com intuito de recolher o objeto perdido, o surpreendente aconteceu.

            Com o contrapeso da carga do veículo nós não notamos que a roda era da própria camionete que se soltou ao entrar em um buraco.

             Porém ao parar o carro para recolher a roda ás margens da estrada, o veículo com a falta de inércia admitida com a velocidade, arriou-se para a direita na parte traseira, foi aí que a ficha caiu e percebemos que os bobos éramos nós mesmos, e aquela roda era da nossa camionete.

            Anteriormente estávamos rindo da falta de sorte alheia e não notamos que só havia o nosso veículo naquele trajeto.

             Mas nada disso nos tirou a alegria, muito ao contrário, só aumentava o prazer da vida fazendo de cada caso uma piada a ser lembrada e contada a todos.

 

 

Copla do Romance Instinto de Sobrevivência.

Leandro Campos Alves.

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