Toques Para Mulheres

Toques Para Mulheres é um blog destinado a ser humoristicamente polêmico ao retratar o universo feminino na visão de um espécime masculino ("Eu!"). Semanalmente esse pobre homem, o escritor Edson Rossatto ("Eu de novo!"), postará uma crônica sobre o cotidiano feminino e suas implicações na vida daqueles que não sabem o que fazer para agradar as mulheres.

 

Antes de qualquer coisa, saiba que Edson Rossatto...

 


 

1)... não é gay... ("Até dois anos atrás, minha irmã desconfiava. Aí apareci com namorada em casa.")

2)... não pretende ser um macho recalcado que não pega ninguém e só quer falar mal delas por isso... ("Ei! Eu tenho bom senso, pô! Tem muitos caras por aí que não valem nada. Metade eu conheço...")

3)... não é machista... ("Não mesmo! Já saí com algumas mulheres sendo feminista. É mais legal!") 

 

Aproveite o blog e comente o quanto quiser, a opinião que quiser, a crítica que desejar. Só seja educada, porque não vai adiantar xingar: os comentários são moderados...

 

 

Para conhecerem algumas das crônicas de Edson Rossato, fica o convite a lerem a crônica :

 

Fim (até que se comece outro...)

 

ATENÇÃO: esta crônica contém spoilers da vida!

 

    Adoro o jeito como minha mãe me apóia. Contei pra ela que eu havia me separado e ela perguntou o que EU tinha feito de errado. Já não bastava o meu coração partido e ela ainda veio com esse dedo na ferida. E isso porque sou bom menino, hein! Imaginem se eu fosse um cafajeste.

- Grávida?

- Não.

- E suicida?

- Er... até agora não.

- Ela não tinha grana suficiente, é isso?

- Pô, mãe! Tá louca? Só deixei de gostar dela, oras!

- Tá, porque você tem outra, né?
 

    Mas deixemos minha mãe pra lá e vamos nos concentrar genericamente em fim de relacionamentos. Até porque bater um papo com minha velha sobre isso me causa deprê. Freud deve explicar, mas os representantes dele aqui na Terra cobram muito caro por uma consulta.

    Esse episódio triste da vida do casal é deveras complicado. Quando se separa, num primeiro momento, aquele que tem de ouvir a decisão de quem deliberou pôr fim ao relacionamento é se perguntar "por quê?".

- Tá, mas me dá um motivo. Eu fiz algo errado?

- A gente não tem mais nada a ver.

- Mas tem de haver um motivo.

- Não sei dizer, Paulo.

- Foi porque eu disse que, quando você sorri, me lembra a Samara, né?

- Não, não foi por isso.

- Mas eu adorava aquela cadelinha, Fabi!

- Olha, confesso que não gostei de você me comparar com sua finada cachorra, mas não foi por isso.

- Então foi a briga por causa daquela viagem no navio de solteiros cheio de bebida e sexo fácil?

- Não, não foi. E você já me perdoou. Não tem de ficar lembrando da minha viagem.

    E o pior é que não importa qual seja a justificativa de quem terminou o relacionamento; nunca convencerá o outro de que é um motivo plausível. Depois de tentar (inutilmente) convencer de que ainda podem dar certo, a pessoa chutada (finge) dá-se por vencida e propõe que continuem se vendo sem ser como casal.

- Esse é o Paulo, meu amigo!

    Pois é: "amigo"! Cada vez que essa palavrinha é usada quando antes era "namorado", "marido" ou sei lá como se definiam, é como se aquele paio da feijoada do almoço voltasse para dizer "Opa! Ainda tô aqui!". Dói demais!

    Com o coração partido, o chutado (se tiverem um termo melhor, sugiram) se convence de que se afastar é a melhor solução. De fato, qualquer fim de relacionamento exige uma espécie de luto para uma reavaliação de prioridades. De preferência que a prioridade seja o próprio chutado (estou me incomodando com esse termo!).

    Mas, mesmo de longe, quando o coração fala (às vezes berra) é impossível não ter vontade de querer loucamente ligar para quem ainda se ama. Mas felizmente tem sempre um amigo do lado que não permite que façamos besteiras. Ah, mas quando não se tem esse amigo pra segurar a gente, é preciso até procurar ajuda profissional.

- Pessoal, hoje estamos em nosso oitavo encontro do semestre e é a vez do nosso amigo Paulo dar seu testemunho. Digam um olá para o Paulo.

- OLÁ, PAULO!

- Oi, gente!

- Paulo, conta pra gente o seu caso.

- Bem, meu namoro já tinha três anos quando ela terminou tudo.

- E aí?

- Tentei achar um motivo para o término. Em vão. Então passei a ligar pra ela várias vezes por dia pra perguntar. No começo ela até tentava conversar comigo, explicar seus motivos, mas aquilo não me satisfazia. Aí ela perdeu a paciência e não atendia quando via que era o meu número. Mas eu precisava falar com ela. Tive a ideia de ligar do celular de um amigo. Ela não conhecia o número e atendia, mas não queria falar comigo e desligava na minha cara. Quando os amigos que podiam me emprestar celular acabaram foi que eu cheguei ao fundo do poço: passei a comprar chips pré-pagos de tudo quanto era operadora.

- Oh!

- É, pessoal, é triste mesmo! Aproveitei promoção do dia das mães, dos pais, até do dia dos namorados. Essa doía mais porque eu me lembrava da Fabi.

- E aí?

- O pior era chegar na loja da operadora pedindo um número novo e os vendedores quererem empurrar portabilidade. Eu ficava agressivo. Não queria o mesmo número.

- Conta mais!

- Fui aprendendo a me dar valor quando passei a frequentar este grupo. Hoje estou há 28 dias sem ligar para a Fabi.

- Palmas pra ele!

- Obrigado, pessoal! Não posso me considerar curado. Evito passar perto de um celular e até atravesso a rua quando vejo um orelhão na calçada à frente. Sabem como é: um dia de cada vez.

- Obrigado pelo testemunho, Paulo. E vamos dar prosseguimento ao G.A.L.E.R.A. (Grupo de Apoio aos Ligadores para o Ex-Rolo Anônimos).

Quando o chut... o aband... o desampar... Ah! Tá difícil não me referir a esse personagem sem ser de forma triste. Vamos ficar com chutado mesmo, tá bom?

    Quando o chutado deixa de ligar ainda resta aquela curiosidade em saber o que a pessoa amada está fazendo. Aí qualquer atitude do outro ganha proporções titânicas quando aumentada com a lente da dor de cotovelo e da esperança (aqui no caso precedida pela palavra "maldita").

- Ela me ama, João, eu sei que ama!

- Mas como você pode ter tanta certeza disso, Paulão? Ela já não falou que não quer mais nada?

- Ah, mas não é o que as atitudes dela dizem.

- Hã?

- Veja só: ontem às 13h27min ela postou no Facebook uma foto de um cachorro que lembra um beagle. Hoje às 17h49min ela postou essa imagem de uma floresta. Tá vendo aqui bem no cantinho um passarinho amarelo?

- Não, cadê?

- Esse pontinho aqui que parece um Fandangos.

- Isso é um passarinho?

- É sim, olha na lupa.

- Aonde você quer chegar?

- Nossa, João, tá na cara, poxa! Um beagle...

- ...não é beagle.

- Mas parece e é isso que importa! Então beagle com passarinho amarelo lembra...?

- ...lembra?

- O que que lembra, João?

- Não sei, poxa! Para de mistério!

- Lembra o Snoopy, caramba! Eu adoro o Snoopy e a Fabi sabe disso! Ela tá me mandando uma mensagem, mesmo sem saber. Ela me ama!

- Tá me olhando por quê?

    Depois de tudo isso só resta ao chutado se conformar e seguir adiante com a vida dele, sem se dar conta de que poderia nem ser amor aquele sentimento de gosto amargo de fim de relacionamento. Às vezes, é só o fato de a pessoa não querê-lo mais. É ele precisar provar que pode reconquistá-la. Algumas vezes, até consegue, mas percebe que teria sido melhor se tudo tivesse ficado como estava: cada um para o seu lado.

    E por falar em fim de relacionamento, hoje tive uma longa conversa com a minha mãe. Expliquei que o fato de ela me criticar sempre que termino um namoro me incomoda, afinal EU sou o filho dela e ela tem de ficar sempre do meu lado. Ela então me pediu desculpas e disse que a próxima namorada que eu arranjar não cairá nas graças dela. Prometeu que infernizará a menina e não a deixará em paz enquanto estivermos juntos e, se (quando) terminarmos, ficará do meu lado e xingará muito a desgraçada. Ah, que amor! Mãe é mãe!

 

 

Crônica:  Fim (até que se comece outro...)

Autor: Edson Rossato.

 

Para conhecerem mais o trabalho deste grande cronista acessem: Toques para mulheres e tenham uma ótima leitura.

 

Fonte: Toques para Mulheres.blogspot 

Todos direitos estão reservados ao Edson Rossatto e ao Blog “Toques para mulheres”, conforme artigo (Lei 9610/98).

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